segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Acreditar em si mesmo.


                                   

Acreditar em si mesmo.
O maior inimigo que nós podemos ter na vida não está de fora. O maior inimigo que nós podemos ter na vida está aqui dentro, sou eu, eu é que faço perder. Durante muito tempo eu pensei que os meus problemas fossem causados pelas pessoas que estavam de fora, mas não é verdade. O maior problema quem causa somos nós, é o tanto que a gente deixa o outro nos afetar, é o tanto que a gente deixa o outro nos dominar. O primeiro passo para mudança tem que ser meu, eu é que tenho que tomar posse dessa mudança e reorientar a minha vida então se eu cometi erros demais no passado, eu preciso me reconciliar com eles agora. Não é possível a gente continuar a vida sem fazer esse processo da reciclagem do que passou. O passado tem que ser reciclado. Da mesma maneira que o rio precisa ser purificado, eu também preciso dessa purificação todos os dias porque se não daqui a pouco eu sou um lugar insuportável para os outros. Pessoas são semelhantes aos rios, gente, nós vamos vivendo um processo de poluição...passa um joga um lixo, passa um joga uma garrafa. O ser humano é a mesma coisa, por onde você já passou por essa vida, o que que foi que os outros jogaram em você e que você não retirou das águas? Se a gente não põe em ordem os sentimentos do dia, se a gente não faz uma triagem das coisas, nós vamos nos transformando num rio poluído. Sou eu que tenho que acreditar em mim, não é o outro que tem que ficar olhando pra mim e dizendo ‘eu acredito em você’. O que vai convencer o outro de que eu estou mudado e reconciliado com o meu passado não é o que eu falo, é o que eu vivo! E o que nós precisamos muitas vezes é firmar um novo jeito de viver. O que as vezes falta em nós é justamente essa coragem, determinação, de tirar logo as coisas que estão nos incomodando. Vamos pra frente, minha gente! Pra que ficar lamentando o que não deu certo, pra que ficar lamentando aqui o lixo que jogaram em mim naquele dia ou a poluição que me causaram. Eu agora estou diante de tudo isso, preciso dar um jeito, não tenho como negligenciar essa limpeza, sou eu que tenho que fazer, o inimigo não está fora, o inimigo está é aqui dentro e se tem alguém que pode fazer eu perder esse jogo sou eu mesmo. Quantas pessoas na vida não conseguem chegar lá, não conseguem alcançar os objetivos porque entregam os pontos antes da hora? Não teimam. Gente, nós temos que ser teimosos e Jesus nos ensina isso, essa teimosia bonita, né: eu quero isso, eu vou lutar por isso porque eu acredito no valor disso. É como você amar alguém, não desistir, porque você está vendo o que o outro ainda não viu.
Padre Fábio de Melo 
 
Eu creio em mim mesmo. Creio nos que trabalham comigo, creio nos meus amigos e creio na minha família. Creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos. Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito. Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende da sorte, da magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe. Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar. Serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo. Não caluniarei aqueles que não gosto. Não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem. Prestarei o melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz. Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que às vezes ofendo os outros e necessito de perdão.
Desconhecido

Amor


 
                   AMOR
Acredite sempre no amor.
Não fomos feitos para a solidão.
Se você está sofrendo por amor,
está com a pessoa errada ou
amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado,
curta a dor, mas se abra para outro amor.
E se estiver amando, declare o seu amor. Cada vez mais, devemos exercer o
nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor).
Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.
Arrisque!
O amor não é para covardes.
Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir.
E o único risco será o de engordar, mas
lembre-se. "Curta muito a sua companhia."
Casamento dá certo
para quem não é dependente.
Aprenda a viver feliz - mesmo sem homem/mulher ao lado.
Se não tiver com quem ir ao cinema,
vá com a pessoa mais fascinante:
VOCÊ!                                     (Desconhecido)


 Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existe mais cabeças tortas do que pés.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.
  Martha Medeiros
 

Acredite





Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma benção escondida; uma benção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.
Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.
Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.
Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.
Paulo Coelho 
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Desconhecido

quarta-feira, 13 de maio de 2015

UMA ANTIGA LENDA ÁRABE




Conta uma antiga lenda que na Idade Media um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher.
Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino.

O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca.
Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.
O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.
Disse o juiz: sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor:
vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO.
Você sorteara um dos papéis e aquele que sair será o veredicto.
O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz.
Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca.
Não havia saída.
Não havia alternativas para o pobre homem.
O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um.
O homem pensou alguns segundos e pressentindo a "vibração" aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu.
Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

"Mas o que você fez?" E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?"
"É muito fácil", respondeu o homem.
"Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário."
Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL DA HISTORIA:

Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar ate o ultimo momento.
Saiba que para qualquer problema há sempre uma saída.
Não desista, não entregue os pontos, não e deixe derrotar.
Persista, vá em frente apesar de tudo e de todos, creia que pode conseguir.


                                                                                               Vanessa Cuca

UM CRIME QUASE PERFEITO


Narrador: Era um dia ensolarado típico da região norte nordeste. Naquele dia ,um detetive,procurava,sem descansar,um assassino. ’’Muito engenhoso‘’ ,pensava ele;
Dona Ester, havia sido encontrada morta ,em seu apartamento, deitada na cama.Ela estava pálida. Não se encontrava nenhum vestígio de sangue em seu corpo .Seu sangue foi drenado.O assassinato ocorreu durante ás nove e onze horas da noite.A empregada Maria do Socorro,encontra o corpo de sua patroa ,ás nove e meia da manhã ,quando esta chegava ao trabalho.
O detetive resolve interrogar a irmã mais nova Ruby.                       
Detetive :Então senhorita Ruby  o que você fazia na noite do assassinato?
Ruby :Eu estava no trabalho.Sou garçonete de um barzinho e trabalho das sete a meia noite horário que saio do trabalho.
Narrador :O detetive checou a afirmação de Ruby .Ela não estava mentindo.
Ele então interrogou a irmã mais velha Paola:
Detetive :Senhorita Paola ,onde estava na noite do crime?
Paola :Eu estava na balada,me divertindo com meus amigos.
Narrador :O detetive checou os álibis  de Paola.E ela dizia a verdade .Ele procurou digitais ,ou qualquer outra coisa ,que o assassino  deixara no apartamento .Mas não encontrou nada.O que mais lhe incomodava era não ter a mínima ideia do que realmente acontecera.’’Porque alguém ia querer drenar o sangue de uma pessoa?E onde colocara todo esse sangue?’’ ele se perguntava .Procurou respostas com Maria do Socorro,a empregada:
Detetive :Então dona Maria do Socorro,a senhora sabe se Dona Ester tinha algum inimigo ou inimiga?Ou uma pessoa de quem não gostava?
Empregada :A Dona Ester era uma pessoa muito amigável,não conheço ninguém que desejava o mal para ela!
Detetive :Com  quais pessoas Dona Ester falou no dia do crime?
Empregada :Eu não sei ao certo detetive,sai mais cedo do trabalho ontem.
Narrador :O detetive então ,procurou o porteiro Claudionor.
Detetive :Senhor Claudionor,com quais pessoas,dona Ester falou no dia do crime?
Porteiro :A senhora Ester não recebeu visita alguma,além de suas irmãs para comemorar o aniversário dela.
Detetive :Tem certeza disso?
Porteiro :Se eu me lembrar de mais alguma coisa eu lhe aviso.
Narrador :O detetive vasculhou mais uma vez  o apartamento.Agora ele tinha certeza de que aquela não era a verdadeira cena do crime.Ele então ,começou a procurar pela garagem e até mesmo por toda a vizinhança.Ele conheceu uma amiga de Dona Ester,com quem estudava no colegial Rosamélia era seu nome.
Detetive :Então,senhorita Rosamélia,você e Dona Ester,foram melhores amigas no colegial?
Rosamélia :È claro! Andávamos sempre juntas.
Narrador :Dizia Rosamélia sempre sorridente.
Rosamélia :Então detetive,ainda falta muito para encontrar o assassino?
Detetive :Ele é muito esperto.Mas não desistirei desse caso.
Narrador :O detetive parou em frente a uma vidraça cheia de garrafas de vinho.
Detetive :Gosta muito de vinho a senhorita não é?
Rosamélia:Adoro!Mas acredito que não poderá compartilhar o vinho comigo ,afinal deve procurar um criminoso.
Detetive :Muito obrigado por sua colaboração.
Rosamélia :Eu é que agradeço.Você é um ótimo detetive.
Narrador :O detetive continuou a procurar por provas,mas não encontrava nada.Enquanto andava pelos corredores,percebeu que o porteiro lhe procurava.
Detetive :O que houve seu Claudionor?
 Porteiro :A senhorita Rosamélia,saiu com Dona Ester!
Detetive :No dia do crime?
Porteiro :Sim foram jantar juntas.
Detetive:Muito obrigada seu Claudionor!
Narrador:O detetive procurou novamente Maria do Socorro em buscas de respostas.
Detetive:Dona Maria do Socorro,preste bastante atenção no que vou lhe perguntar agora,Dona Ester e a senhorita Rosamélia,estudaram juntas?
Empregada:Sim Dona Ester me contou várias estórias de seus tempos na escola,Dona Ester era bem popular na escola.
Detetive:Dona Ester era melhor amiga de Rosamélia?
Empregada:Mas é claro que não!Rosamélia odiava Dona Ester.
Detetive:Por quê?
Empregada:Como eu lhe disse Dona Ester era popular e                                                            Rosamélia era só uma garota comum.
Detetive:Então porque Rosamélia a odeia?Só porque não era popular?
Empregada:Também.Mas é que Dona Ester era muito malvada na escola,sempre humilhava as pessoas,principalmente a Rosamélia.
Detetive:Muito obrigado Maria do Socorro.
 Narrador:O detetive resolveu procurar provas na garagem de Rosamélia.Descobriu dentro do carro uma bomba,que estava repleta de sangue.Uma perfeita bomba para drenar o sangue de uma pessoa.  O detetive foi à procura de Rosamélia
Detetive:Então senhorita Rosamélia,porque você a matou?
Rosamélia:Ela me fez passar,por coisas terríveis,na escola.Alguma coisa finalmente ruim,muito ruim deveria acontecer com ela.Então a chamei para jantar,tentei fazer ela pedir desculpas pelo que me fez passar,mas rejeitou fazer isso,então eu não tive escolha.
Narrador:O detetive foi em direção a vidraça dos vinhos e segurando a garrafa disse:
Detetive:Resolveu então,esconder o sangue em garrafas de vinho.
Rosamélia:Era o vinho preferido dela.bom...dei esse prazer a ela.
Narrador:Dizia Rosamélia sempre com um imenso sorriso no rosto.
Rosamélia:Sabe o que foi mais engraçado?Foi ter que colocar Ester de cabeça pra baixo.
Detetive:Porque você fez isso?
Rosamélia:Seu sangue parecia não querer sair,então dei uma ajudinha.
Narrador:Rosamélia,tinha presa,mas ainda havia mais um mistério para resolver.  O detetive pediu para que analisasem o sangue de Dona Ester.Descobriram que Dona Ester estava sendo envenenada.   O detetive revistou mais uma vez o apartamento e descobriu um remédio para dores de cabeça.    Ele procurou novamente Maria do Socorro e esta lhe afirmara que Dona Ester sentia muita dor de cabeça e foi no dia do crime que Paola sua irmã entregou esse remédio a vítima.Analisaram o remédio ,este que realmente continha veneno.  O detetive foi a procura de Paola,que jantava com umas amigas.
Detetive:Senhorita Paola está presa por assassinar sua irmã.
Paola:Eu não drenei o sangue dela .
Detetive:Mas a envenenou.Para conseguir a sua parte da herança que ela lhe deixara.
Narrador:O detetive prendeu Paola .Enquanto voltava para casa  dizia pra si mesmo :’’um plano genial e engenhoso que jamais vi em minha profissão.
Rosamélia é levada  para o manicômio.
                                                                               PRISCILA LARA
         

A família contemporânea e a sua representação em questão no Brasil


Duas mães, dois pais, meio-irmão, enteados, filhos legítimos e adotivos. Esses são só alguns dos possíveis arranjos que configuram a família contemporânea. Os tempos de só “papai, mamãe, titia” parecem ter ficado na letra dos Titãs. Entretanto, ainda há muito que se discutir para que, de fato, essa nova configuração seja reconhecida e retrate a nova instituição familiar brasileira.
Apesar das visíveis mudanças, o conservadorismo ainda é latente na sociedade civil. Por trás do famoso discurso “respeito, mas não acho normal”, perpetua-se o preconceito. Recentemente, a Câmara dos Deputados ressuscitou um polêmico projeto denominado “Estatuto da Família”, que legitima apenas a união entre homem e mulher. Uma enquete do portal da Câmara mostrou que 53% das pessoas concordam com essa definição. Embora muito já se tenha conquistado, para uma parcela representativa da população, o modelo tradicional é o que representa a família brasileira.
Essa visão engessada do modelo familiar colabora com o crescimento da intolerância. Crianças que têm famílias fora do “convencional” costumam sofrer com o preconceito. Frequentemente, são noticiados casos de agressões a filhos de casais gays. A história mais recente teve um final trágico: a morte de um menino de 14 anos, filho adotivo de um casal homo afetivo. Os adolescentes que o agrediram são o reflexo de uma sociedade que ainda não aceita o diferente e acha que preconceito é questão de opinião.
Além disso, devem-se considerar, também, as demais estruturas familiares. Antigamente, a mulher divorciada estava fadada à solidão, pois não era aceita socialmente. Hoje, há inúmeros casos de mulheres que são chefes de família, solteiras e mães independentes. Apesar de sofrerem menos com o preconceito, elas ainda encaram desafios diários. No âmbito jurídico, muitas conquistas já foram alcançadas, mas, culturalmente, ainda há um longo caminho a percorrer para que o patriarcalismo institucionalizado dê espaço à pluralidade da nova representação familiar.

Por tudo isso, fica claro que ainda há muito que avançar nas discussões sobre a representatividade da instituição familiar. A luta é pedagógica. Por isso, o debate precisa se estender aos mais variados ambientes sociais. A escola, enquanto instituição socializadora, é responsável por naturalizar essa nova face, promovendo o respeito e a integração. O governo, por sua vez, precisa criar meios eficazes de punição aos casos de intolerância. Enquanto essas novas configurações continuarem a ser ocultadas, nunca serão representadas. Porque família não é tudo igual, o que muda é muito mais que o endereço.

O CÃO E A ÁRVORE



O cão e a árvore também são inacabados, mas o homem se sabe inacabado e por isso se educa. Não haveria educação se o homem fosse um ser acabado. O homem pergunta-se: quem sou? de onde venho? onde posso estar? O homem pode refletir sobre si mesmo e colocar-se num determinado momento, numa certa realidade: é um ser na busca constante de ser mais e, como pode fazer esta autorreflexão, pode descobrir-se como um ser inacabado, que está em constante busca. Eis aqui a raiz da educação. A educação é uma resposta da finitude da infinitude.
A educação é possível para o homem, porque este é inacabado e sabe-se inacabado. Isto leva-o à sua perfeição. A educação, portanto, implica uma busca realizada por um sujeito que é o homem. O homem deve ser o sujeito de sua própria educação. Não pode ser o objeto dela. Por isso, ninguém educa ninguém. Sem dúvida, ninguém pode buscar na exclusividade, individualmente. Esta busca solitária poderia traduzir-se em um ter mais, que é uma forma de ser menos. Essa busca deve ser feita com outros seres que também procuram ser mais e em comunhão com outras “consciências”. Jaspers disse: “Eu sou na medida em que os outros também são”.

Freire, P. Educação e mudança. 12. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.14 (adaptado).

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A história do lápis

               


A história do lápis

O menino olhava a avó escrevendo uma carta.
A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco?
E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade.
Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando.
Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas.
Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las,
será sempre uma pessoa em paz com o mundo. 

"Primeira qualidade:
Você pode fazer grandes coisas,
mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos.
Esta mão nós chamamos de Deus,
e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade". 

"Segunda qualidade:
De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo,
e usar o apontador.
Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final,
ele está mais afiado.
Portanto, saiba suportar algumas dores,
porque elas o farão ser uma pessoa melhor." 

"Terceira qualidade:
O lápis sempre permite que usemos uma borracha
para apagar aquilo que estava errado.
Entenda que corrigir uma coisa que fizemos
não é necessariamente algo mau, mas algo importante
para nos manter no caminho da justiça". 

"Quarta qualidade:
O que realmente importa no lápis não é a madeira
ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro.
Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você." 

"Finalmente, a quinta qualidade do lápis:
Ele sempre deixa uma marca.
Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, 

irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação".           

                                                      Paulo Coelho

Os Três Obreiros

                                                                             




                                                                         Os Três Obreiros


        Três operários preparavam pedras para a construção de um grande templo de oração, onde seria o local de encontro de muitas pessoas que buscam a palavra de Deus.
         Aproximei-me do primeiro obreiro e perguntei-lhe com toda simpatia:
         - O que está fazendo, meu amigo?
         -  Preparo pedras !...– respondeu-me secamente.
         Caminhei  mais um pouco e cheguei até o segundo obreiro e interroguei-o do mesmo modo:
         - O que está fazendo, meu amigo?
         - Trabalho pelo meu salário – foi a resposta.
         Dirigi-me então ao terceiro obreiro e fiz a mesma pergunta com que tinha interpelado os outros dois.
         _ O que está fazendo , meu amigo?
         O operário fitou-me cheio de alegria e respondeu-me com entusiasmo:
         _ Pois não vê? Estou construindo uma igreja! Faço com todo carinho, porque sei que esta obra será importante para muitas pessoas. – respondeu muito entusiasmado.
         Repare meus amigos no modo tão diverso com que cada operário cumpriu seu dever. O primeiro obrigava-se a uma tarefa grosseira. O segundo não visava senão o dinheiro. O terceiro contemplava um ideal com amor.
         Seremos escravos se tivermos a semelhança do primeiro operário, pois  limitaremos a nossa vida à luta diária.
         Entre os ambiciosos ficaremos se contemplarmos somente o lucro imediato de nossos esforços, como o segundo obreiro.
         Felizes seremos,  porém, se pensarmos como o terceiro obreiro, se vivermos  e lutarmos por um ideal para todos.
                                   
                                                 Autor desconhecido

A Floresta em Chamas



                                                                  
       A Floresta em Chamas


    Existia uma floresta linda e bem verdinha, lá moravam vários animais que dependiam das árvores e dos rios para se alimentarem, para construir suas casas, enfim para dar vida a todos eles.
    Os animais viviam alegres, soltos pela floresta, brincando e se espreguiçando de lá pra cá e de cá pra lá. Lá moravam a Dona Onça,  o Senhor Passarinho, o Galo Pintado, a Ovelha Bela, o Elefante Machão, o Porco Espinho e tantos outros.
    Certo dia apareceu pelas bandas de lá, um homem, que cansado de tanto caminhar, resolveu descansar debaixo da macieira.
    Enquanto ele descansava, vejam só quem lá apareceu ?! Dona Cobra Cobreira, maldosa e odiada por todos, que como num encanto acordou o homem e pôs a seduzi-lo com suas maldades. Soprava ao ouvido do homem que aquelas árvores estavam atrapalhando os seus planos. Que se ele botasse fogo nelas, sobraria um belo pasto para que ele pudesse criar seu gado e assim ficar rico, rico, muito rico. 
    Vocês sabem muito bem que quando fala de dinheiro com o homem, ele fica cego e louco. 
    Foi nesse meio tempo que o homem então decidiu: vou botar fogo na floresta e assim a tomarei para mim, e a usarei para ficar rico,  muito rico.
    E assim ele fez, pegou logo um fósforo e se deixando levar pela tentação do mal, colocou fogo na floresta e rapidamente o fogo se alastrou.
    Meus Deus!...Foi um Deus nos acuda!... Era bicho correndo para todo lado, era fogo alastrando por todo canto. A coisa não ficou boa lá na floresta não. A única que ria da desgraça dos outros era a D. Cobra Cobreira, porque sentiu que o homem havia se deixado contaminar pelo mal .
    Enquanto todos corriam apavorados, fugindo do fogo , somente o Senhor Passarinho gritava e voava desesperado  para que apagassem o fogo em vez de fugirem .
     O urso, com cara de medo, olhou para a floresta e quis ajudar, mas, logo a Cobra Cobreira colocou sua língua venenosa pra fora e disse ao urso que se ele ajudasse o fogo apagar, poderia perder sua vida , era melhor fugir para outro lugar , afinal ele era grande e corria muito , poderia se salvar .
    O urso se deixou cair na tentação da Cobra Cobreira , e com a tentação da covardia, abandonou os amigos e fugiu para bem longe .
    O Senhor Passarinho continuava a pedir ajuda para o fogo apagar, que buscassem água para a floresta salvar. Logo, o Senhor Galo quis ajudar, mas a Cobra maldosa, disse ao galo que suas penas poderiam se queimar e assim seria seu fim. Ele vaidoso com sempre, não quis ajudar e saiu numa correria de não mais parar .
    Ainda não satisfeita, Dona Cobra Cobreira , a todos quis influenciar e ouvindo a maldosa , todos se deixaram enganar .
    Uns tinham a tentação da preguiça, outros a tentação do não tô nem ai, outros egoísmo e assim por diante. Até o Senhor Passarinho a maldosa da Cobra Cobreira  quis seduzir dizendo a ele pra não ajudar, afinal ninguém se importava e porque ele estaria arriscando sua vida para outras salvar? De que vale isso?!
    Mas, o Senhor Passarinho então decidiu , mesmo não sendo grande e podendo usar apenas de seu biquinho e de suas asinhas , se colocou em ação , ia até o rio, enchia seu biquinho de água e jogava toda água que ele conseguia carregar no fogo da floresta , ia ao rio e voltava , ia ao rio e voltava . Enquanto os bichos corriam ,iam percebendo a ação do Senhor Passarinho, foi quando Dona Onça virou -se para o passarinho e disse :

_ Que isso ,compadre?! Você pretende apagar todo o fogo da floresta com esse seu minúsculo biquinho?

Ele, então, cansado, voando  de lá pra cá se virou e disse:

    _ Sei que ele é pequeno e pode até não apagar o fogo da floresta , mas eu estou fazendo a minha parte .
    Foi nesse instante, crianças , que Dona Onça abriu seus olhos e chamou a todos para que juntos pudessem salvar a floresta , os rios e a vida deles próprios . Pediu que cada um fizesse a sua parte e que o fogo da floresta apagasse. Dona Cobra Cobreira ficou louca de raiva e vendo que o bem estava por perto, fugiu brava para o meio do mato quente...
    Todos os bichos então, armados de  baldinhos, unidos sobre o comando do Rei Leão, conseguiram o fogo da mata apagar, livraram a natureza da destruição e agora estão replantado tudo que se queimou, ajudando a natureza a se recuperar do grande estrago causado pela tentação do mal. A floresta está se recuperando aos poucos, mas o bonito foi que eles, agora, estão mais preparados para não se deixarem cair na tentação do mal e na busca da paz conseguirão vencer o mal .
    E nós,crianças, também temos feito à nossa parte contribuindo para que nenhuma tentação interfira na nossa paz ? Cuidando bem do nosso coração, ou estamos deixando que o mal nos seduza para que tudo seja destruído? Como temos cuidado de tudo que nos cerca , principalmente da natureza ?
Autor desconhecido 


Texto enviado por Marta França para Professores Solidários.

A Descoberta de Uma Criança

                       



                   A Descoberta de Uma Criança  
Era     vez um menininho bastante pequeno, que contrastava com a escola bastante grande.
Uma manhã, a professora disse: Hoje nós iremos fazer um desenho. "Que bom!"- pensou o menininho. Ele gostava de desenhar leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos.
Pegou a sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
A professora então disse: Esperem, ainda não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores.
Com seus lápis rosa, laranja e azul. A professora disse: Esperem! Vou mostrar como fazer. E a flor era vermelha com caule verde. Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora E depois olhou para sua flor.
Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso.
Virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com caule verde.
Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre,
A professora disse:
Hoje iremos fazer alguma coisa com o barro. "Que bom"!!!, pensou o menininho.
Ele gostava de trabalhar com barro.
Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões.
Começou a juntar e amassar a sua bola de barro.
Então, a professora disse:
Esperem, não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
Agora, disse ela, nós iremos fazer um prato.
Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
A professora disse: - Esperem! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar.
E o prato era um prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora e depois par a seu próprio prato. Gostou mais do seu, mas não poderia dizer isso.
Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e fazer as coisas exatamente como a professora.
E muito cedo ele não fazia coisas por si próprio.
Então aconteceu que o menininho teve que mudar de escola.
Era uma escola ainda maior que a primeira.
Um dia a professora disse: Hoje vamos fazer um desenho.
"Que bom!"- pensou o menininho, Esperando que a professora dissesse o que fazer.
Ela não disse, apenas andava pela sala. Então veio até o menininho e disse: Você não quer desenhar? Sim, e o que nós vamos fazer? Eu não sei até que você o faça. Como eu posso fazê-lo? Da maneira que você gostar! E de que cor?
Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber o que cada um gosta de desenhar?
Eu não sei...
Então o menininho começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde...
Helen Buckley

Tradução do texto: Regina Gregório

A Cerca

                     


                            A CERCA
O menino Alexandre era muito bravo e mal-humorado, gritava com os outros, xingava e falava mal das pessoas. Seu pai deu-lhe então uma bolsa de pregos e disse que cada vez que gritasse com alguém, xingasse uma pessoa ou falasse mal de alguém, que martelasse um prego na cerca.
No primeiro dia, o menino pregou 37 pregos. No segundo, 30 e assim por diante, diminuindo o número a cada dia. Ele descobriu que era mais sensato controlar o seu temperamento explosivo do que ir até o fundo do quintal para martelar a cerca. Até que um dia ele não perdeu a razão nenhuma vez. Não maltratou, não brigou, não xingou, não falou mal de alguém. Enfim, foi um bom menino.
Quando disse que havia mudado de comportamento, seu pai então  disse a ele que a cada dia que pensasse em perder o controle, mas conseguisse segurar o controle e não fazer nada de errado, que ele fosse até a cerca e tirasse um dos pregos cravados na cerca. Até o dia em que ele não perdeu a razão nenhuma vez.
Os dias passaram e o Alexandre disse finalmente a seu pai que não havia mais pregos na cerca. Seu pai levou-o até lá e disse:
- “Muito bem, mas veja esses furinhos todos que ficaram aqui. A cerca nunca mais será a mesma. Quando magoamos uma pessoa, dizemos palavras que deixam cicatrizes. Por mais desculpas que peçamos, a cicatriz continuará lá. Não ofenda as pessoas, pois isto poderá deixar marcas para sempre...”


                                                                          Autor Desconhecido.
Postado por Prof.ª Helena 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

TENTAÇÃO


                                     
   

                                                 TENTAÇÃO


   Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
   Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
   Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
   Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
   A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

 Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
   Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
   Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
   No meio de tanta 
vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
   Mas ambos eram comprometidos.
   Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
   A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

   Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás
__________________

Conto extraído de LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.

CASO DE CANÁRIO




                            CASO DE CANÁRIO
         Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
          – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
          – Mas eu também tenho coração, ora essa.Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
         – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
         O sogro, a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
– Vai, meu bem.
         Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
         – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
          Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vitima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
          E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
          Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
         No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.           – Ui!
Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
– Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.

CASO DE CANÁRIO
         Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
          – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
          – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?          – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
         O sogro, as sogras apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
– Vai, meu bem.          Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
         – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
          Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vitima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
          E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
          Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
         No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo. – Ui!
Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?

– Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.

A princesa e a ervilha




A princesa e a ervilha

Era uma vez um príncipe que queria se casar com uma princesa, mas uma princesa de verdade, de sangue real mesmo. Viajou pelo mundo inteiro, à procura da princesa dos seus sonhos, mas todas as que encontravam tinham algum defeito. Não é que faltassem princesas, não: havia de sobra, mas a dificuldade era saber se realmente eram de sangue real.
E o príncipe retornou ao seu castelo muito triste e desiludido, pois queria muito casar com uma princesa de verdade.
Uma noite desabou uma tempestade medonha. Chovia desabaladamente, com trovoadas, raios, relâmpagos. Um espetáculo tremendo! De repente bateram à porta do castelo estavam ocupados enxugando as salas cujas janelas foram abertas pela tempestade e o rei em pessoa foi atender.
Era uma moça, que dizia ser uma princesa. Mas estava encharcada de tal maneira, os cabelos escorrendo, as roupas grudadas ao corpo, os sapatos quase desmanchando... que era difícil acreditar que fosse realmente uma princesa real.
A moça tanto afirmou que era uma princesa que a rainha pensou numa forma de provar se o que ela dizia era verdade. Ordenou que sua criada de confiança empilhasse vinte colchões no quarto de hóspedes e colocou sob eles uma ervilha.  Aquela seria a cama da “princesa”.
A moça estranhou a altura da cama, mas conseguiu, com a ajuda de uma escada, se deitar.
No dia seguinte, a rainha perguntou como ela havia dormido. Oh! Não consegui dormir respondeu a moça havia algo duro na minha cama, e me deixou até manchas roxas no corpo!
O rei, a rainha e o príncipe se olharam com surpresa. A moça era realmente uma princesa! Só mesmo uma princesa verdadeira teria pele tão sensível para sentir um grão de ervilha sob vinte colchões!!!
O príncipe casou com a princesa, feliz da vida, e a ervilha foi enviada para um museu, e ainda deve estar por lá...
Acredite se quiser, mas esta história realmente aconteceu!

(Adaptado do conto de Hans Christian Andersen)